Da superioridade do Gentoo Linux

22/04/2026


Recentemente neste blog, afirmei que iria remigrar para o gentoo linux. Pois bem, já faz algumas semanas que efetuei essa migração e vim relatar minha experiência e as vantagens de usar essa distribuição source-based.

arroz do gentoo

O que é o gentoo?

Gentoo linux é uma distribuição GNU/Linux source-based: isto é, ao invés de instalar binários pré compilados como usualmente é feito por outras distros, o gentoo compila softwares através de instruções de ebuilds com o portage, automatizando e personalizando esse processo com o uso de flags.

Existe ainda alguns pacotes pré-compilados no gentoo, como é o caso de algumas linguagens de programação (ex: rust-bin e openjdk-bin), libreoffice-bin, kernel e firefox-bin, que é bastante útil pois nem sempre se é vantajoso compilar algum programa (ou apenas é cansativo, como no caso do libreoffice).

Também existe o gentoo binary host para aqueles que não querem compilar de maneira alguma, mas acredito que com isso se perde o principal atrativo do gentoo que irei detalhar com o decorrer deste texto.

Por que gentoo? Liberdade!

A razão principal pode se resumir em uma palavra: liberdade.

Não liberdade como encarada pelos libretards da free software foundation (apesar que mesmo para estes, é possível criar um sistema gentoo totalmente livre de blobs e softwares proprietários), mas sim, liberdade real.

Quer um sistema sem soystemd? Gentoo tem openrc. Quer usar somente o wayland sem xwayland? Vá em frente! Quer compilar o KDE com Xorg? Você quem manda, campeão! No gentoo, você pode não apenas definir como os softwares serão compilados, como também, qual compilador de sua preferência, quais c flags ele vai utilizar, o nível de otimização etc...

Esse nível de liberdade só é possível pelo fato do gentoo ser source-based, nem mesmo o arch linux (que sequer garante liberdade de escolher o init-system direito) chega aos pés do gentoo.

Performance

Não considero performance a razão principal para se escolher o gentoo, mas ainda assim é inegável que utilizar flags como pgo, lto, -march=native e -O2 ou -O3 melhoram o desempenho de um software. Entretanto, deve se conceder que, ao menos para sistemas modernos, tais melhorias são pouco perceptíveis.

Segurança e privacidade

O gentoo fornece um profile hardened com algumas flags de segurança habilitadas por padrão, além disso, você mesmo pode compilar os softwares escolhendo as USE flags a dedo com tal finalidade.

gentoo pony

É possível também remover telemetria de alguns programas através das USE flags (como o firefox e o uzdoom), e se você for paranóico, pode remover codecs proprietários e substituí-los por livres (você pode ver mais detalhes neste artigo da gentoo wiki.

Estabilidade

Gentoo é estável como uma foda! Se você cuidar do portage certinho, resolvendo os conflitos de flags e ler os eselect news, dificilmente terá algum problema. Se duvidar, gentoo é mais estável que o próprio debian, tendo algumas vantagens como maior flexibilidade de qual versão escolher através do portage.

Portage

O portage tem diversas features e funcionalidades: utilizar múltiplas versões de um mesmo pacote no mesmo sistema, filtragem por licenças, mascarar pacotes para que eles não mais atualizem, as já mencionadas USE flags que permitem personalizar pacotes tanto globalmente quanto individualmente, optimizações de pacotes, overlays, eselect... Poderia passar um bom tempo descrevendo o que o portage é capaz de fazer.

Alguns defeitos

Somente Deus é perfeito, portanto, gentoo também tem seus defeitos. O mais evidente deles é que algumas coisas demoram muito para compilar, mas como mencionado anteriormente, alguns softwares mais extensos já tem versões pré compiladas e você também pode usar alguns flatpaks para suprir algumas necessidades (particularmente não sou muito fã dessa abordagem).

Gentoo requer tempo e estudo para entender como manejá-lo, o que nem todos tem, fora o gasto de energia durante a compilação.

Outra coisa que detesto bastante é o fato do portage ser feito em python. Não me leve a mal, portage enquanto ferramenta é muito foda! Mas pelo fato de ser feito em python, acaba sendo mais lento do que deveria. É possível contornar isso com algumas ferramentas alternativas do gentoolkit e o próprio eix, mas isso serve somente para queries de pacotes. Se isso for algo que te incomode bastante, você ainda pode testar o exherbo que usa o paludis (c++) como package manager.

O Gentoo vem a calhar?

Acho que depende muito. Particularmente, estou gostando bastante do gentoo, pois ele é bastante maleável e cobre coisas que outras distros por natureza não poderiam me satisfazer. Entretanto, reconheço que o "use case" dela não serve para todos.

Se você estiver curioso para testar, recomendo fazer um dual boot, um dos grandes baratos do gentoo é que é possível fazer a instalação dele sem a necessidade de uma ISO, pulando direto para a fase de montagem e extrair o tarball do stage3.

If it moves, compile it!


Tags: tecnologia, linux, gentoo